Colocando as mulheres a frente da mudança climática e de resposta a desastres no Pacífico

SOLAR

Engenheira de Energia Solar de Fiji, Reapi Waiteleca, e sua aprendiz Kadavu, em 2013. Foto: UN Women/Laura Cleary

Reapi Waitaleca é uma avó na aldeia de Nabouwalu na ilha de Fiji de Kadavu. Ela também é uma engenheira de energia solar treinada, que instalou painéis solares para todas as famílias em sua aldeia e criou uma oficina solar. Ela agora está treinando uma graduanda do ensino médio de 18 anos de idade como uma engenheira aprendiz.

“No sábado, eu estava ocupada com a lavagem então eu pedi a ela [jovem aprendiz] para fixar o controlador de carga no salão comunal e ela o fez” disse Reapi.

Reapi é uma das 10 mulheres de Fiji que instalaram painéis solares para 376 famílias em 12 aldeias ao redor Fiji, depois de participar do “Mulheres Rurais iluminam o Pacífico”, programa que incluiu seis meses de treinamento na Índia. O programa vê a ONU Mulheres trabalhando com a Barefoot College para dar às mulheres uma fonte de renda e maior influência dentro de suas aldeias, fornecendo exemplos que podem inspirar outras mulheres e meninas para olhar além dos papéis tradicionais de gênero.

 Desta forma, a energia solar torna-se muito mais do que uma fonte de energia amiga do ambiente. Para muitas comunidades remotas do Pacífico, sem acesso às suas redes nacionais, ela também representa uma solução de energia eficaz que pode estimular o progresso na redução da pobreza, a igualdade de gênero, educação e saúde.

Sendo um conjunto de ilhas nações pequenas, isoladas e de baixa altitude, a região do Pacífico está entre os primeiros a sentir os efeitos das mudanças climáticas – de eventos climáticos extremos a outras formas de danos ecológicos, como o aumento do solo e salinidade da água. A maioria dos países e territórios insulares do Pacífico já estão enfrentando esses perigos relacionados com o clima.

 Estudos estimam que 18 milhões de pessoas foram afetadas por desastres relacionados com o clima nas ilhas do Pacífico , mais de 1,2 milhões na década de 1980 [1]. De acordo com o Fundo Internacional das Nações Unidas para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA), um aumento de 2 por cento da temperatura pode elevar a intensidade de ciclones tropicais no noroeste do Pacífico de 12 a 15 por cento [2].

Mulheres do Pacífico têm competências essenciais e conhecimentos sobre fontes limpas de água, preparação de alimentos, agricultura e os meios de subsistência; No entanto, elas são muitas vezes excluídas dos processos de tomada de decisão em torno da adaptação às alterações climáticas e mitigação, bem como da gestão de risco de desastres.

Elas também enfrentam uma série de impactos secundários intangíveis a sequência de catástrofes. Muitas vezes enraizados na desigualdades de gênero existentes, estes impactos podem incluir taxas de violência de gênero sexual, o acesso desigual à assistência humanitária, perda de oportunidades econômicas e um aumento da carga de trabalho. Depois de dois ciclones tropicais atingirem Tafe Province, em Vanuatu, no ano de 2011, o Centro Tanna de Aconselhamento da Mulher relatou um aumento de 300 por cento nos novos casos de violência doméstica [3].

A ONU Mulheres oferece treinamento, suporte e recursos para mudanças climáticas e de gestão de desastres profissionais no Pacífico, a fim de ajudá-los a suprir as diferentes necessidades das mulheres e homens.

Um desses recursos é o Kit de gênero do Pacífico e das Alterações Climáticas. O kit foca-se na segurança alimentar, água, energia e redução de desastres de risco – e foi desenvolvido para ajudar a dissipar os mitos em torno do gênero. Ele é destinado a profissionais de mudanças climáticas que trabalham em governos nacionais, organizações não-governamentais, bem como organizações regionais e internacionais.

O kit é o resultado da colaboração entre a ONU Mulheres, a Secretaria da Comunidade do Pacífico, a Empresa Federal Alemã para a Cooperação Internacional (GIZ), a Secretaria do Programa Ambiental Regional do Pacífico e o PNUD. Um programa de treinamento e acompanhamento está agora em andamento.

[1] Anderson, C L. (November 2009) “Gendered dimensions of disaster risk management, natural resource management, and climate change adaptation in the Pacific”. SPC Women in Fisheries Information Bulletin #20.

[2] IFAD, 2012. Climate Change Impacts: Pacific Islands.

[3] UN OHCHR, 2011. Protecting the Rights of Internally Displaced Persons in Natural Disasters. Challenges in the Pacific.

Tradução: CSW 2016 – 17º MINIONU

Postado originalmente por: ONU Mulheres <http://www.unwomen.org/en/news/stories/2014/6/disaster-response-in-the-pacific&gt;

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Opinião de especialistas: Por que as mulheres permanecem invisíveis apesar de sua presença?

rural

Por: Venge Nyirongo

Não é nenhum mito de que a segurança alimentar é essencial para a dignidade humana e para assegurar meios de vida e bem-estar. No entanto, cerca de 842 milhões de pessoas vivem hoje na fome crônica em todo o mundo. Embora em declínio, o número de desnutridos também continua a ser exorbitante. Destes, mulheres e meninas continuam mais afetados.

A incapacidade de garantir o acesso das mulheres a uma alimentação nutritiva tem um impacto sobre a nutrição de crianças com menos de cinco anos de idade , levando à perda de vidas e limitações cognitivas ou de desenvolvimento para quem sobreviver. Em muitos casos, a insegurança alimentar e a fome continuam a sofrer em silêncio, sem uma voz para apelar por mais igualdade e equidade na distribuição de recursos que aliviariam seu sofrimento.

Sem dúvida, as mulheres são a chave para a segurança alimentar. Globalmente, as mulheres representam cerca de 43 por cento da força de trabalho agrícola. Sua dedicação a ambas as culturas alimentares e comerciais é alta, embora os retornos de mercado favorecem mais os homens que as mulheres. O Banco Africano de Desenvolvimento estima que 90% do alimento da África é produzido por mulheres, apesar do fato de que poucas mulheres são donas das terras que trabalham. Devido a isso, a contribuição das mulheres rurais para a agricultura da África é importante para a persistência e sucesso de suas famílias, comunidades e economias locais e nacionais, a redução da pobreza e para o desenvolvimento sustentável.

Apesar do papel catalisador que elas desempenham, as mulheres permanecem em grande parte invisíveis. As mulheres rurais enfrentam um acesso limitado aos recursos produtivos como a terra, insumos agrícolas, finanças e crédito e serviços de extensão e tecnologia, que por sua vez limita a sua produção agrícola. Elas enfrentam mais dificuldades do que os homens no acesso aos serviços públicos, proteção social, oportunidades de emprego, mercados locais e nacionais e instituições, devido a normas culturais, discriminação institucional e social e as questões de segurança que restringem e circunscrevem o seu acesso. Por exemplo, menos serviços de extensão agrícola são fornecidos aos agricultores do sexo feminino do que masculino; Na zona rural de África Subsaariana, as mulheres ocupam menos de 10% do crédito disponível para a agricultura familiar.

Embora o acesso das mulheres rurais ao microcrédito tem progredido nos últimos anos e isso pode ajudar a reduzir a pobreza individual, dificilmente isso pode suportar as mudanças transformadoras necessárias para o posicionamento coletivo das mulheres como produtoras agrícolas e empresárias rurais. Sem títulos de terra como garantia, as mulheres experimentam maior dificuldade em obter empréstimos, e isso, junto à outros problemas, comprometem a capacidade das mulheres para adicionar valor à cadeia agrícola, e para diversificar e progredir sua produção.

A participação das mulheres em atividades não-alimentares produtivas, agrícolas e de outras formas, também é importante para enfrentar uma das dimensões críticas de segurança alimentar: acesso aos alimentos. As mulheres muitas vezes não têm acesso ao básico da agricultura, pois enfrentam restrições à sua capacidade de comprar ou herdar terra, poupar dinheiro através disso e fazer empréstimos de uma instituição financeira, ou até mesmo vender os seus produtos em um mercado. Mais mulheres rurais do que os homens em áreas urbanas não têm acesso a mercados. Transporte de má qualidade, entre outros desafios, muitas vezes as limitam à mercados locais em que, frequentemente, não podem negociar melhores preços para os seus produtos. Além disso, diferenças de gênero na escolha de cultivo persistem, com culturas de rendimento lucrativos sendo largamente “culturas do sexo masculino”, enquanto as culturas para consumo doméstico são vistos como “culturas do sexo feminino.”

Tradução: CSW 2016 – 17º MINIONU

Postado originalmente por: ONU Mulheres <http://www.unwomen.org/en/news/stories/2014/7/our-experts-take-venge-nyirongo&gt;

Igualdade de gênero, empoderamento e mudanças climáticas

COP

Mudanças climáticas impõem riscos para toda a humanidade. No entanto, meninas e mulheres gastam uma quantidade desproporcional de tempo procurando por comida, combustível e água, ou lutando para cultivar em meio aos impactos. Efetivamente, quando desastres ocorrem, as mulheres são mais propensas a morrer do que os homens, como no caso do tsunami de 2004, na Ásia, onde 70% das mortes foram de mulheres.

Mulheres e meninas são importantes líderes e agentes de mudança. Elas desempenham um papel crítico – mas frequentemente não reconhecido – na ação climática e gestão de recursos naturais. Na maioria dos países em desenvolvimento, por exemplo, as mulheres são as provedoras de energia doméstica e também podem ser poderosas agentes de mudança na transição para a energia sustentável. Além disso, mulheres empresárias têm um enorme potencial para criar redes de distribuição e de serviços em áreas rurais, ajudando a reduzir custos e aumentar o acesso à energia sustentável. Como tomadoras de decisão, elas têm oferecido soluções inovadoras para responder aos impactos das alterações climáticas e de tornar o desenvolvimento mais sustentável, em geral.

 Com base na adoção da nova Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, que inclui o objetivo específico sobre mudanças climáticas (ODS 13), a ONU tem um olhar detalhado sobre o impacto e papel das mulheres enquanto agentes de mudança para cada um dos ODS, e vem trabalhando fortemente para a  inclusão das dimensões de gênero dentro das questões climáticas.

Tradução: CSW 2016 – 17º MINIONU

Postado originalmente por: ONU Mulheres <http://www.unwomen.org/en/news/in-focus/climate-change&gt;