Opinião de especialistas: Por que as mulheres permanecem invisíveis apesar de sua presença?

rural

Por: Venge Nyirongo

Não é nenhum mito de que a segurança alimentar é essencial para a dignidade humana e para assegurar meios de vida e bem-estar. No entanto, cerca de 842 milhões de pessoas vivem hoje na fome crônica em todo o mundo. Embora em declínio, o número de desnutridos também continua a ser exorbitante. Destes, mulheres e meninas continuam mais afetados.

A incapacidade de garantir o acesso das mulheres a uma alimentação nutritiva tem um impacto sobre a nutrição de crianças com menos de cinco anos de idade , levando à perda de vidas e limitações cognitivas ou de desenvolvimento para quem sobreviver. Em muitos casos, a insegurança alimentar e a fome continuam a sofrer em silêncio, sem uma voz para apelar por mais igualdade e equidade na distribuição de recursos que aliviariam seu sofrimento.

Sem dúvida, as mulheres são a chave para a segurança alimentar. Globalmente, as mulheres representam cerca de 43 por cento da força de trabalho agrícola. Sua dedicação a ambas as culturas alimentares e comerciais é alta, embora os retornos de mercado favorecem mais os homens que as mulheres. O Banco Africano de Desenvolvimento estima que 90% do alimento da África é produzido por mulheres, apesar do fato de que poucas mulheres são donas das terras que trabalham. Devido a isso, a contribuição das mulheres rurais para a agricultura da África é importante para a persistência e sucesso de suas famílias, comunidades e economias locais e nacionais, a redução da pobreza e para o desenvolvimento sustentável.

Apesar do papel catalisador que elas desempenham, as mulheres permanecem em grande parte invisíveis. As mulheres rurais enfrentam um acesso limitado aos recursos produtivos como a terra, insumos agrícolas, finanças e crédito e serviços de extensão e tecnologia, que por sua vez limita a sua produção agrícola. Elas enfrentam mais dificuldades do que os homens no acesso aos serviços públicos, proteção social, oportunidades de emprego, mercados locais e nacionais e instituições, devido a normas culturais, discriminação institucional e social e as questões de segurança que restringem e circunscrevem o seu acesso. Por exemplo, menos serviços de extensão agrícola são fornecidos aos agricultores do sexo feminino do que masculino; Na zona rural de África Subsaariana, as mulheres ocupam menos de 10% do crédito disponível para a agricultura familiar.

Embora o acesso das mulheres rurais ao microcrédito tem progredido nos últimos anos e isso pode ajudar a reduzir a pobreza individual, dificilmente isso pode suportar as mudanças transformadoras necessárias para o posicionamento coletivo das mulheres como produtoras agrícolas e empresárias rurais. Sem títulos de terra como garantia, as mulheres experimentam maior dificuldade em obter empréstimos, e isso, junto à outros problemas, comprometem a capacidade das mulheres para adicionar valor à cadeia agrícola, e para diversificar e progredir sua produção.

A participação das mulheres em atividades não-alimentares produtivas, agrícolas e de outras formas, também é importante para enfrentar uma das dimensões críticas de segurança alimentar: acesso aos alimentos. As mulheres muitas vezes não têm acesso ao básico da agricultura, pois enfrentam restrições à sua capacidade de comprar ou herdar terra, poupar dinheiro através disso e fazer empréstimos de uma instituição financeira, ou até mesmo vender os seus produtos em um mercado. Mais mulheres rurais do que os homens em áreas urbanas não têm acesso a mercados. Transporte de má qualidade, entre outros desafios, muitas vezes as limitam à mercados locais em que, frequentemente, não podem negociar melhores preços para os seus produtos. Além disso, diferenças de gênero na escolha de cultivo persistem, com culturas de rendimento lucrativos sendo largamente “culturas do sexo masculino”, enquanto as culturas para consumo doméstico são vistos como “culturas do sexo feminino.”

Tradução: CSW 2016 – 17º MINIONU

Postado originalmente por: ONU Mulheres <http://www.unwomen.org/en/news/stories/2014/7/our-experts-take-venge-nyirongo&gt;

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