Empoderamento econômico das mulheres é crítico para assegurar a segurança alimentar

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Antes do ciclone, Rakesh Prakash e sua família contavam com a renda que recebiam do produto que eles colhiam em sua fazenda de 10 acres no Toge, Fiji. Duas vezes por semana eles colhiam 300-400kg de berinjela, pimentões, ervilha de vaca e espinafre e levava-os para o mercado local para vender aos vendedores do mercado, que então os vendiam ao público.

Enquanto o Sr. Prakash, sua esposa e os pais se escondiam debaixo da cama, inundações provocadas pelo ciclone tropical Winston destruiu a maioria dessas plantações. A perda tem prejudicado não só o sustento de sua própria família, mas também a dos 15-20 vendedores do mercado e inúmeros clientes que confiaram em sua produção a cada dia.

Avaliações preliminares realizadas pelo governo indicam cerca de US$ 120,2 milhões em danos para o setor agrícola, a maioria dos quais é danos às plantaçõs. Até 100% das plantações nas áreas mais afetadas foram danificadas. O efeito dominó está a atingir toda a extensão da cadeia de abastecimento alimentar do país, e mais além.

As mulheres desempenham um papel essencial em todas as partes da cadeia de abastecimento alimentar de Fiji. Elas são geralmente responsáveis pela procura da comida que suas famílias precisam para sobreviver, elas estão fortemente envolvidas na agricultura de subsistência, e elas compõem a maioria dos vendedores do mercado em todo o país.

O legado inicial do Ciclone tropical Winston é uma escassez de produtos frescos locais, especialmente no oeste, que não só empurra para cima os preços, mas também torna mais difícil para as mulheres a procura pelas fontes de alimento – seja para comer ou vender.

Em um sábado normal, Dhanbhagium Maraj pode ganhar até US$ 200 por dia vendendo no mercado Rakiraki. Nas semanas após o ciclone tropical Winston, ela não só enfrentou os preços no atacado que dobraram ou triplicaram, mas também os custos de transporte adicionais.

“Eu fui para Nadi para comprar legumes”, explica Sra. Maraj. “Isso significa que eu tinha que pagar US$ 22 para o transporte e depois voltar pela transportadora por US$ 65 com produtos para vender no mercado. Porque os preços são tão altos que não posso vender tudo na minha mesa, e por isso eu tenho que pagar extra para levar o que sobrou de volta para minha casa.”

Manjula Wati de Vunisamaloa em Ba, conta uma história similar.

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“O principal problema é que os clientes não têm dinheiro”, diz ela. “Eles estão confiando no racionamento e eles não podem receber qualquer dinheiro porque eles não podem ir trabalhar porque não há enrgia. Eu vou aos agricultores, mas o preço é tão alto que não podemos vendê-los.”

Aleta Miller, representante para a ONU Mulheres em Fiji, aponta que isso tem implicações enormes.

“O dinheiro que as mulheres ganham vendendo para os mercados é frequentemente usado para pagar a escola de seus filhos e de cuidados médicos, bem como para as despesas do dia a dia e alimentos. Sem um rendimento regular essas coisas se tornam inacessíveis e as famílias têm de fazer escolhas entre prioridades concorrentes.”

Gordon Wong, o Mestre Mercado no mercado de Lautoka já está vendo prova disso, com as pessoas tendo que fazer uma escolha entre comprar verduras no mercado ou comprar no supermercado.

“As mesas estão vazias porque não há produção suficiente. Aqueles que estão bem estabelecidos são aqueles recebendo os suprimentos, porque eles são mais bem organizados e podem comprar a granel. Pequenos fornecedores estão sofrendo mais”, diz ele.

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Sra. Miller diz que capacitação econômica das mulheres é fundamental para garantir a segurança alimentar a todos os níveis.

“Os papéis das mulheres na agricultura e abastecimento alimentar tornam-as mais vulneráveis em momentos como este, no entanto, isso também significa que elas têm o conhecimento crítico que podem ajudar o setor a recuperar mais rapidamente e mais eficazmente. É essencial reconhecermos isso e garantir que as mulheres estão totalmente incluídas em todos os níveis dos esforços de resposta e recuperação.”

Através do projeto Mercados para a Mudança, a ONU Mulheres está fornecendo tendas, mesas e cadeiras para os mercados mais afetados pelo ciclone tropical Winston para servir como abrigos temporários e espaços de mercado, especialmente para as mulheres que vêm de áreas rurais. Com financiamento do Fundo de Resposta de Emergência Central, a ONU Mulheres também vai distribuir suprimentos para vendedores do mercado que também crescem os seus próprios produtos, incluindo sementes, ferramentas e fertilizantes, atingindo 500 vendedores do mercado em Rakiraki, Tavua e Ba.

Tradução: CSW 2016 – 17º MINIONU

Postado originalmente por: ONU Mulheres <http://asiapacific.unwomen.org/en/news-and-events/stories/2016/03/womens-economic-empowerment-critical&gt;

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